FMI garante que moçambique está “no bom caminho” para fechar novo programa financeiro

Moçambique poderá estar prestes a avançar para um novo programa de assistência financeira com o Fundo Monetário Internacional (FMI), depois de sinais considerados encorajadores no diálogo mantido entre o Governo moçambicano e aquela instituição. A indicação foi dada pelo director do Departamento Africano do FMI, Zeine Zeidane, durante um encontro bilateral de alto nível com a ministra das Finanças, Carla Loveira, realizado na terça-feira, 23 de Junho, em Paris, França.
O encontro decorreu à margem do Fórum de Paris e serviu para reforçar as relações entre o Executivo moçambicano e o FMI, num momento em que o país procura consolidar a estabilidade macroeconómica e assegurar novas fontes de apoio financeiro externo para sustentar as reformas em curso.
Segundo informações divulgadas sobre a reunião, as duas partes passaram em revista o desempenho recente da economia moçambicana, com destaque para indicadores ligados à consolidação fiscal, à sustentabilidade da dívida pública e ao reforço da boa governação. O Governo moçambicano aproveitou a ocasião para apresentar ao FMI uma avaliação da actual conjuntura económica nacional, destacando medidas adoptadas para equilibrar as contas públicas, melhorar a gestão das finanças do Estado e reforçar a transparência na administração dos recursos públicos.
Durante o encontro, Carla Loveira sublinhou os esforços que têm vindo a ser desenvolvidos pelo Executivo no sentido de restaurar a confiança dos parceiros internacionais, num contexto em que o país continua a enfrentar desafios associados à pressão da dívida, à necessidade de maior eficiência na despesa pública e à criação de um ambiente mais favorável ao investimento e ao crescimento económico.

Do lado do Fundo Monetário Internacional, Zeine Zeidane manifestou satisfação com os passos que Moçambique tem vindo a dar no processo de estabilização económica. O responsável revelou já ter recebido o relatório elaborado pela missão técnica do FMI que esteve recentemente em Maputo, liderada por Pablo López, para avaliar o estado das reformas e o cumprimento de metas consideradas essenciais para a negociação de um novo acordo.

Com base nas conclusões dessa missão, o director do Departamento Africano do FMI considerou que Moçambique está “no bom caminho” para a assinatura de um novo programa de assistência financeira com a instituição. A avaliação é vista como um sinal positivo para o país, que procura assegurar um novo quadro de cooperação com o Fundo, capaz de apoiar as reformas estruturais, reforçar a estabilidade económica e criar melhores condições para o crescimento sustentável.
Ainda assim, Zeidane recomendou ao Governo moçambicano que mantenha o ritmo das reformas em curso, sobretudo nas áreas ligadas à disciplina fiscal, à gestão da dívida e à governação económica. A posição do FMI aponta para a necessidade de o país continuar a demonstrar consistência na implementação de políticas públicas que garantam previsibilidade, confiança dos parceiros e protecção das contas do Estado.
A possibilidade de um novo programa financeiro com o FMI surge numa altura em que Moçambique continua a procurar equilibrar as necessidades de financiamento do desenvolvimento com a obrigação de manter sob controlo os riscos fiscais e os compromissos da dívida pública. Um eventual acordo poderá abrir espaço para maior apoio técnico e financeiro, ao mesmo tempo que funcionaria como um sinal de confiança para outros parceiros de cooperação e investidores internacionais.
O encontro em Paris reforça, assim, a percepção de que as autoridades moçambicanas e o Fundo Monetário Internacional estão a aproximar posições, num processo que poderá culminar, nos próximos tempos, com a formalização de um novo programa de assistência, caso as avaliações técnicas e políticas continuem a evoluir de forma favorável.






