Relato de testemunha descreve caos na saída da praia da Macaneta
Testemunho de uma pessoa que esteve no local descreve congestionamento extremo, agressões, roubos, vandalismo e dificuldades para abandonar a praia ao fim do dia.

Um testemunh⭕️ de uma pessoa que esteve este sábado na praia da Macaneta, província de Maputo, descreve momentos de grande tensão e confusão durante a saída dos banhistas ao final do dia.

De acordo com o relato, não terão ocorrido mortes dentro da água, devido à presença de um marinheiro numa mota de água que prestava assistência. A situação mais grave terá ocorrido por volta das 18h00, quando uma grande quantidade de pessoas começou a abandonar a praia simultaneamente.
Segundo a testemunha, o início da estrada pavimentada ficou completamente congestionado, com carros, motorizadas e peões a ocuparem os acessos.

Motorizadas terão agravado o congestionamento
A testemunha afirma que os motociclistas terão ocupado muitos dos espaços deixados pelos automóveis, dificultando ainda mais a circulação.
“Em todos os becos que os carros deixavam eram ocupados por motos, daí começou a confusão”, relata.
A situação terá criado dificuldades tanto para as pessoas que estavam a chegar como para aquelas que tentavam sair da praia.
Segundo o testemunho, algumas pessoas chegaram a subir para cima de viaturas para conseguir avançar. Noutros pontos, muros altos impediam a passagem, enquanto do lado oposto havia zonas com água, espinhos e outros obstáculos.
A testemunha afirma que algumas pessoas foram obrigadas a tentar escalar muros com vários metros de altura ou atravessar zonas de água e vegetação, numa tentativa de encontrar uma saída.
Relatos de roubos e agressões
O testemunho menciona ainda diversos episódios de violência e criminalidade durante a confusão.
Entre os bens alegadamente roubados estão telemóveis, chinelos, perucas e peças de roupa.
São também relatadas agressões físicas, esfaqueamentos e outros episódios de violência.
O relato menciona ainda alegados casos de abuso sexual, que, segundo a testemunha, não chegaram a ser denunciados no momento devido ao caos instalado.
Pessoas terão sido pisadas durante a fuga
A testemunha descreve igualmente uma situação de extrema dificuldade para quem caía no meio da multidão.
“Quem caia no chão era pisado feito um chão”, relata.
Segundo o testemunho, muitas pessoas não conseguiam parar para ajudar outras que caíam, prevalecendo uma situação descrita como de “cada um por si”.
O relato menciona ainda alegadas mortes durante o aperto da multidão, incluindo bebés, mas estas informações carecem de confirmação oficial.
Vandalismo também é relatado
O testemunho refere ainda episódios de vandalismo contra viaturas e motorizadas.
Segundo a mesma fonte, alguns carros terão sido danificados e motorizadas que transportavam geleiras térmicas, conhecidas localmente como Colman, também terão sido alvo de vandalismo.
“Ao voltar foi um inferno”
A testemunha relata que chegou à praia de carro e deixou o telemóvel em casa. O veículo foi estacionado numa zona que considerou segura.
Por precaução, colocou os documentos numa cadeira dentro da viatura e levou consigo apenas a carteira. Segundo conta, tinha dois calções e colocou a carteira no bolso interior de um deles.
A chegada à praia, segundo o testemunho, decorreu normalmente e foi descrita como um momento agradável.
O problema surgiu no regresso.
“Ao chegar na praia foi máximo, era tão bom. Mas ao voltar foi um inferno vivido”, relata.
Durante a tentativa de saída, a testemunha conta ter conseguido escapar por uma zona junto a um muro, depois de uma pessoa que estava no topo lhe ter estendido a mão.
“Alguém estava em cima do muro e me pegou a mão. Logo fui abraçar o pilar e consegui saltar até pegar onde o pilar termina”, descreve.
O testemunho dá conta das dificuldades enfrentadas por milhares de pessoas que tentavam deixar a praia ao mesmo tempo.
Situação exige esclarecimento das autoridades
Os relatos sobre mortes, desaparecimento, roubos, agressões e possíveis abusos sexuais devem ser apurados pelas autoridades competentes.
Até ao momento, nem todos os episódios descritos neste testemunho foram oficialmente confirmados, pelo que não é possível determinar a dimensão exacta dos incidentes.
A elevada concentração de pessoas e as dificuldades de circulação levantam, contudo, questões sobre as condições de segurança e organização em locais que recebem grandes multidões.
Por Redacção






