Empresário moçambicano Norolamin Gulam condenado a 11 anos de prisão nos EUA
Antigo rosto do Grupo Maiaia, de Nacala, declarou-se culpado de conspiração para branqueamento de capitais e foi condenado a 135 meses de prisão.

Além da pena de prisão, o tribunal determinou o pagamento de uma sentença financeira de 7,5 milhões de dólares. Gulam, cidadão moçambicano residente em Portugal, havia-se declarado culpado da acusação.
Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, as informações apresentadas em tribunal indicam que, desde pelo menos 2021, Gulam foi identificado como líder de uma organização transnacional de branqueamento de capitais com ligações à Europa, África, Sudeste Asiático, Estados Unidos, América Central e América do Sul.
Mais de 500 milhões de dólares
De acordo com as autoridades norte-americanas, Gulam utilizava várias empresas e investimentos imobiliários para movimentar e branquear milhões de dólares provenientes do tráfico de droga.
As autoridades norte-americanas estimam que a organização tenha lavado pelo menos 500 milhões de dólares.
O caso foi investigado no âmbito da Homeland Security Task Force (HSTF), uma força-tarefa que reúne várias agências norte-americanas para combater organizações criminosas transnacionais e redes de tráfico e contrabando.
Detenção nos Estados Unidos
Norolamin Gulam foi detido nos Estados Unidos em Fevereiro de 2024, depois de viajar de Portugal para o país.
Na altura, a imprensa moçambicana noticiou que o FBI teria desenvolvido uma operação de investigação que envolveu agentes apresentados como potenciais investidores interessados em negócios imobiliários.
Também foram noticiadas buscas realizadas pela Polícia Judiciária portuguesa em propriedades e escritórios ligados a Gulam, no âmbito da cooperação com as autoridades norte-americanas. Esses elementos faziam parte das investigações que antecederam o processo judicial nos EUA.
Ligação ao Grupo Maiaia
Em Moçambique, Norolamin Gulam tornou-se conhecido como uma das principais figuras do Grupo Maiaia, conglomerado empresarial que teve uma presença significativa em Nacala-Porto, na província de Nampula.
O grupo enfrentou posteriormente dificuldades financeiras e processos relacionados com dívidas à banca moçambicana. O jornal SAVANA reportou, em 2024, que o Grupo Maiaia tinha acumulado dívidas de dezenas de milhões de dólares junto de instituições bancárias moçambicanas.
Em 2024, a Procuradoria-Geral da República de Moçambique também desenvolveu diligências relacionadas com membros da família Gulam e empresas associadas, no âmbito de investigações sobre alegados crimes financeiros.
Condenação encerra etapa judicial nos EUA
A condenação de 15 de Setembro representa um novo capítulo no processo contra o empresário moçambicano nos Estados Unidos.
De acordo com as autoridades norte-americanas, a sentença resultou da declaração de culpa de Gulam por conspiração para cometer branqueamento de capitais, não de uma condenação directa por tráfico de droga.
Fonte: Departamento de Justiça dos Estados Unidos / Distrito Leste do Texas






