Cabo Delgado, ofensiva militar dispersa insurgência e aumenta pressão sobre civis

A insurgência na pr⭕️víncia de Cabo Delgado entrou numa nova fase, marcada por ataques mais dispersos, maior mobilidade dos grupos armados e crescente pressão sobre as populações civis, segundo uma análise publicada pela RFI.
De acordo com a publicação, a ofensiva conduzida pelas Forças de Defesa e Segurança de Moçambique, com o apoio de militares ruandeses, contra as florestas de Catupa, no distrito de Macomia, alterou a dinâmica do conflito. Embora tenha aumentado a pressão sobre os insurgentes, a operação levou os grupos armados a redistribuírem os seus combatentes por vários distritos da província.
Segundo o jornalista Tomás Queface, que acompanha o conflito no terreno, os insurgentes passaram a intensificar ataques em distritos como Ancuabe, Meluco, Montepuez, Muidumbe e Macomia, recorrendo a novas táticas para manter a sua capacidade operacional.
Entre essas estratégias destacam-se ataques em corredores rodoviários, incluindo a Estrada Nacional 380 (EN380) e a R98, onde passageiros têm sido raptados para exigir resgates, considerados uma importante fonte de financiamento dos grupos armados. Os insurgentes procuram igualmente reforçar a sua presença em zonas mineiras de Meluco e Montepuez para controlar a exploração de ouro e pedras preciosas.
Apesar da ofensiva militar, Tomás Queface considera prematuro concluir que a insurgência esteja enfraquecida, defendendo que os grupos armados demonstram capacidade de adaptação e continuam a manter estruturas logísticas e operacionais.
No plano internacional, a Rússia voltou a manifestar disponibilidade para apoiar Moçambique no combate ao terrorismo. No entanto, o analista considera improvável uma intervenção militar russa, recordando o insucesso da atuação do Grupo Wagner em Cabo Delgado, em 2019, e apontando a presença de grandes investimentos internacionais no setor do gás natural como um fator que dificulta esse cenário.
Entretanto, o Presidente Daniel Chapo manifestou a intenção de reforçar gradualmente a capacidade das forças nacionais, reduzindo a dependência do apoio militar estrangeiro e fortalecendo a resposta interna ao terrorismo.
Paralelamente à evolução do conflito, a situação humanitária continua a deteriorar-se. A redução da assistência alimentar do Programa Mundial de Alimentação (PMA) está a levar milhares de deslocados a regressarem às suas comunidades, apesar da persistência da insegurança, aumentando o risco de novos ataques e de recrutamento de jovens pelos grupos insurgentes.
Segundo a análise, o Governo continua a concentrar esforços na proteção das populações e dos principais investimentos estratégicos localizados na província de Cabo Delgado.






