África do Sul cobra países africanos por custos de repatriamento de migrantes
Pretória diz ter gasto 18 milhões de dólares com deportações e repatriamentos e já pediu compensação ao Malawi, Etiópia e Nigéria.

A África d⭕️ Sul está a pedir a vários países africanos o reembolso dos custos relacionados com o repatriamento de cidadãos estrangeiros, depois de ter deportado ou facilitado o regresso de mais de 80 mil migrantes aos seus países de origem.
Segundo o Ministério dos Assuntos Internos da África do Sul, o Governo gastou cerca de 18 milhões de dólares norte-americanos para acomodar e transportar pessoas durante as operações de deportação e repatriamento. Os primeiros pedidos formais de compensação foram enviados ao Malawi, Etiópia e Nigéria.
As despesas incluem o transporte em autocarros, a instalação e funcionamento de centros temporários de repatriamento e o pagamento de horas extraordinárias aos funcionários envolvidos nas operações.
O director-geral do Departamento de Assuntos Internos, Tommy Makhode, classificou os custos como “imprevistos e inevitáveis”, numa altura em que as autoridades sul-africanas enfrentam um aumento significativo das operações relacionadas com imigração irregular.
Mais de 82 mil pessoas repatriadas ou deportadas
O ministro dos Assuntos Internos, Leon Schreiber, considerou sem precedentes o actual volume de deportações e repatriamentos no país.
Dados do Governo sul-africano indicam que 82.875 pessoas foram voluntariamente repatriadas ou deportadas desde o início do actual período de tensão migratória.
Entretanto, os números apresentados pelos países de origem são superiores. De acordo com esses dados, cerca de 178 mil pessoas terão regressado aos seus países, evidenciando uma diferença significativa em relação aos números divulgados pelas autoridades sul-africanas.
Entre Abril e Julho, 16.078 cidadãos estrangeiros foram deportados através do Centro de Repatriamento de Lindela. Entre os principais países de origem estão o Lesotho, Malawi, Tanzânia, Zimbabwe e Moçambique.
Tensão aumenta em torno da imigração
O aumento das deportações ocorre num contexto de crescente tensão em torno da imigração irregular na África do Sul.
Grupos que defendem medidas mais duras contra a imigração ilegal têm promovido manifestações e, em alguns casos, registaram-se ataques contra cidadãos estrangeiros. Os manifestantes acusam os imigrantes de contribuir para o desemprego, o aumento da criminalidade e a pressão sobre os serviços públicos.
As alegações têm provocado reacções de outros países africanos. Alguns Governos acusam as autoridades sul-africanas de não protegerem adequadamente os seus cidadãos, uma acusação rejeitada por Pretória.
O Gana chegou a defender que a situação dos migrantes na África do Sul fosse incluída na agenda de uma próxima reunião da União Africana, mas a proposta acabou por ser rejeitada.
Polícia reforça operações
Paralelamente às deportações, as autoridades sul-africanas anunciaram o reforço das operações contra a imigração irregular e crimes associados.
Quase 60 mil pessoas em situação irregular foram detidas, sendo 16.208 apenas durante o mês de Julho, segundo os dados divulgados pelas autoridades.
A intensificação das operações representa também um aumento dos custos para o Estado sul-africano, que agora procura transferir parte desse encargo para os países de origem dos cidadãos repatriados.
A questão migratória coloca, assim, novas pressões nas relações entre a África do Sul e outros países africanos, enquanto Pretória procura controlar a imigração irregular e, simultaneamente, recuperar os valores gastos nas operações de deportação e repatriamento.
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