Aeroporto Filipe Jacinto Nyusi enfrenta baixa procura quase cinco anos após inauguração
Aeroportos de Moçambique reconhecem baixa movimentação e defendem maior dinamização do sector da aviação.

Segund⭕️ os Aeroportos de Moçambique (ADM), a dinamização do aeroporto não depende apenas da empresa, mas de vários intervenientes da indústria da aviação, incluindo operadores, companhias aéreas e outros actores do sector.
Falando à MBC, o administrador operacional da ADM, Fonseca da Fonseca, afirmou que o aeroporto dispõe de condições para desempenhar um papel relevante na rede aeroportuária nacional, mas reconheceu que é necessário aumentar a procura e a actividade aeroportuária.
“A indústria da aviação é composta por tantos intervenientes”, afirmou Fonseca da Fonseca.
Nova classificação da rede aeroportuária
A situação ocorre numa altura em que Moçambique está a reorganizar a sua rede aeroportuária.
O Decreto n.º 50/2026, de 19 de Agosto, estabelece uma nova classificação das infra-estruturas aeroportuárias nacionais. O Aeroporto Filipe Jacinto Nyusi passa a integrar a categoria de aeroportos regionais, juntamente com os aeroportos de Tete e Nampula.
Os três aeroportos regionais ficam habilitados a receber voos internacionais regulares e não regulares provenientes dos países da SADC. A nova classificação estabelece ainda cinco aeroportos internacionais e quatro pontos de entrada internacionais.
Para responder às novas exigências, os Aeroportos de Moçambique terão de mobilizar recursos para modernizar e equipar algumas das infra-estruturas abrangidas pela reorganização.
“Cabe a nós agora acompanharmos esta evolução, fazendo a nossa parte, que é procurar meios financeiros para podermos apetrechar esses aeroportos”, explicou o administrador.
ADM reforça campanha de segurança
Paralelamente aos desafios relacionados com a utilização dos aeroportos, os Aeroportos de Moçambique lançaram uma campanha nacional de sensibilização sobre segurança nas zonas aeroportuárias.
A iniciativa pretende alertar as comunidades para os riscos associados à circulação em áreas restritas e incentivar comportamentos que contribuam para a prevenção de acidentes e outros incidentes.
Segundo Fonseca da Fonseca, existem comunidades que utilizam espaços próximos ou mesmo dentro dos recintos aeroportuários como vias de passagem para encurtar distâncias.
A ADM pretende reforçar o contacto directo com essas comunidades, explicando as regras de segurança e os riscos associados à circulação em zonas aeroportuárias.
A campanha foi lançada na Escola Primária de Lhembue, na cidade de Maputo, estando previstas acções semelhantes nos restantes aeroportos do país.
Um desafio que se arrasta desde a inauguração
O baixo nível de utilização do Aeroporto Filipe Jacinto Nyusi não é um fenómeno recente. Após a inauguração, em 11 de Novembro de 2021, a infra-estrutura enfrentou dificuldades para atrair tráfego comercial regular.
Em 2023, chegou a ser introduzida uma ligação entre Lanseria, na África do Sul, e Xai-Xai, destinada, entre outros objectivos, a facilitar a deslocação de trabalhadores moçambicanos nas minas sul-africanas e a atrair turistas. Na altura, as autoridades defendiam o aumento da frequência de voos e a mobilização de maior tráfego para o aeroporto.
A actual posição da ADM volta a colocar em destaque o desafio de transformar uma infra-estrutura de grande capacidade numa plataforma aeroportuária com utilização regular e sustentável.






